quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Cattleya forbesii


Considero essa uma das mais charmosas e "sensuais" cattleyas brasileiras. Quer por sua tonalidade clara peculiar em tons brancos do labelo, sépalas e pétalas de igual cor notadamente de tons palha, verdes claros, marrons claros e marfins, quer pela sua característica borda labelar serrilhada como uma renda, ou por sua delicada harmonia entre suas sépalas, pétalas e labelos. 



Acho a Cattleya forbesii uma orquídea misteriosa, quando menos se espera, lá está ela, aberta, elegante e sensual, de leve perfume, exibindo em seus labelos serrilhados as rendas ocultas de uma peça íntima, cuidadosamente guardada para aquela ocasião. 




Creio que sua proximidade natural com o ambiente do mar a faz mais sensual. Como nossos ancestrais pré-colombianos, tem preferência pelos ventos úmidos das florestas tropicais que circundam a serra do mar. 





Com uma estrutura bifoliar caracterizada por folhas elípticas, possui pseudobulbos afilados e produz, em média, de duas a cinco flores por hastes florais. A considero resistente e de fácil cultivo, desde que em ambientes úmidos e, preferencialmente próximo a matas e ao mar.



Tenho várias aqui no quintal, algumas cultivadas em suas árvores de origem.
Floresce, aqui em Pendotiba, na primavera (geralmente em outubro) e no início do verão.

Rodriguezia Obtusifolia

Essa singela e surpreendente orquídea é um raro exemplar encontrado na Mata Atlântica e em algumas regiões de caatinga, tem uma beleza única em suas flores marcadas por uma anatomia característica.










Possui flores brancas contendo em seu interior uma mácula amarela, conectadas na parte final da haste, e que exalam um discreto e agradável perfume. Tem como característica produzir raízes aéreas cuja maioria não adere diretamente ao tronco. 


Seu pseudobulbo é bem estreito e surge após o prolongamento dos rizomas formando uma espécie de broto, de onde surgem novos pseudobulbos a cada 15 ou 20 centímetros e crescem verticalmente na árvore hospedeira. 




As flores se prendem a hastes florais de cerca de 40 centímetros contendo em média cinco flores. Estas possuem sépalas e pétalas brancas a rosadas, lanceoladas, com  ápice agudo; labelo igualmente branco de cerca de 3 centímetros, sem calosidade, sem fímbrias e com lobos laterais indiferenciados e uma característica e charmosa mancha amarela em seu interior.


Fui premiado com diversas mudas nativas que já viviam aqui no quintal, em uma pequena área de Mata Atlântica que preservamos integralmente quando construímos nossa pequena casa. Vive saudavelmente em uma grumixameira nativa. 


 Dela recolhi alguns brotos, que reintroduzi em algumas árvores do quintal e da reserva. Fiz de um pé de manacá um "berçário" de onde tiro algumas mudas e dou para amigos orquidófilos como essa aí da foto, que dei para o Dedé, há uns dois anos, e que floresce vigorosa nas terras conquistenses. 

domingo, 4 de outubro de 2015

Cattleya Labiata Rubra






Apesar de sua popularidade e facilidade de acesso a mudas e às muitas espécies e subespécies de labiatas, essa permanece, para mim, como uma das orquídeas mais belas e paradigmáticas do Brasil. 


A labiata rubra, com sua robustez visual e seu perfume inconfundível, já se tornou presença obrigatória nos muitos jardins e orquidários brasileiros, notadamente nos jardins e fazendas do interior. 








Encontrada originalmente em diversos estados do nordeste, daí o codinome "rainha do sertão", é relativamente resistente a variações de temperatura, fato que facilita o seu cultivo.
 


Apesar de abrir flores no verão/outono, na maioria dos relatos, aqui em Niterói  ela costuma florescer regularmente no início da primavera, com cachos vigorosos e perfumados. 



As minhas, aqui, são cultivadas nos troncos de quaresmeiras, mangueiras e palmeiras, mas adaptam-se muito bem em vasos apropriados (com boa drenagem, para evitar apodrecimento das raízes por excesso de água) e em troncos e xaxins.



Esse cacho, da foto, contém sete flores e abriu ontem. Já exala seu perfume característico. As flores duram, em média, de duas a 3 semanas, de pura beleza. 

Não dá para esquecer também de sua performance maravilhosa nos cabelos de Elis Regina, lá pelo fim dos anos 70, iluminando a cena da Elis cantando "O bêbado e o equilibrista". 



Ali flor e mús(a)ica se complementavam num corpo único de natureza e arte. 
Por isso, chamamos ela aqui, carinhosamente, de Elis Regina. "olha, abriu uma Elis Regina!!"

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

papilionanthe teres



Do mesmo modo que sua homônima da espécie Papilionanthe Teres Alba, já postada 
anteriormente, é originária da Asia tropical, comum em países como Índia, Cingapura, Nepal, Vietnã, China, etc. São erroneamente conhecidas como Vanda Teres, apesar de não pertencerem ao gênero Vanda.







Como já descrita no nosso blog, é uma orquídea resistente, de fácil cultivo, e gosta de ambientes com muita luz e calor. 












Com variedade de tons que vão do rosa claro a lilás, sua visão superior das sépalas lembram uma borboleta alçando voo, daí seu nome (Papilionanthe )









Possuem folhas arredondadas, das quais, na sua extremidade, emergem as hastes florais.

 Ao contrário de sua espécie Alba, floresce aqui no início da primavera e são igualmente bastante duráveis. Quando plantadas em árvores com muitas folhas, crescem em direção à copa em busca de luz. 

Brassavola tuberculata









Essa orquídea, natural das regiões tropicais americanas, é largamente encontrada no Brasil, distribuídas por diversos estados e possui várias subespécies.







Caracteristicamente possuem uma folha arredondada que lembra uma cebolinha, por isto o apelido de "brassavola cebolleta". 














A espécie aqui representada é a  Brassavola tuberculata, que como as demais espécies, possui pétalas e sépalas semelhantes, em formato de estrela e um grande labelo branco, arredondado, com a parte interna amarelada. 







Muito assemelhada a outras espécies de brassávolas, possui caracteristicamente folhas pendentes. É uma orquídea de fácil cultivo, bem resistente, e raramente é assolada por pragas. 








Gosta de bastante luminosidade, muita umidade relativa do ar e floresce no início da primavera. À noite exala um perfume característico e muito agradável.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Oncidium baueri Lindl.


Essa espécie é nativa da América tropical e encontrada aqui no Brasil em diversos estados, incluindo o Estado do Rio de Janeiro.






Sua característica marcante é possuir uma longa haste floral que pode chegar a cerca de dois metros de comprimento, possuindo centenas de pequenas flores de cerca de 2,5 centímetros cada. 















As flores são amarelas vivas, contendo nas pétalas (incluindo o labelo) e nas sépalas traços, pontos e manchas de cor marrom, ferrugem ou avermelhadas. Sempre imagino uma dançarina de escola de samba ou uma pequena fada ao observar isoladamente as flores de oncidium.
















 Florescem no final do inverno e, principalmente, no início da primavera. Essa espécie tem sido muito utilizada para pesquisas científicas como métodos de reprodução in vitro e uso de novos substratos.






Possuem, em uma tosseira, diversas hastes florais longas, que em seu conjunto caem em direção ao solo, formando verdadeiras cortinas naturais de flores, que em um dia de sol dão um verdadeiro espetáculo de dança e movimento quando sopra uma brisa leve.









São muito comuns aqui nessa área de Mata Atlântica e expandi diversas mudas no quintal a partir de um exemplar nativo que se encontra no tronco de uma velha sibipiruna aqui do quintal.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Renanthera Coccinea











Adapta-se muitíssimo bem em vasos, troncos, e até em pedreiras, sendo considerada tanto epífita como rupícola. 



Adora ambientes com sol pleno, 
sendo muito resistente à incidência solar direta. 
Por estas características, quando são colocadas em árvores de muita folhagem, tem dificuldades em florescer, e crescem muito em direção ao ponto mais alto da árvore, em busca de sol pleno.






Possuem uma longa haste floral de cerca de 80 centímetros em média, contendo dezenas de flores vermelhas que variam em intensidade de tons vermelhos. 








Suas sépalas inferiores são bem maiores que o labelo e que as pétalas e se destacam no conjunto floral, que se abrem no final do inverno e início da primavera. São bastante duráveis, permanecendo nas hastes florais por diversas semanas.
São também conhecidas como "orquídea coral".




 Aqui em Niterói, se tornaram bastante comuns, principalmente nessa região de Pendotiba, e são facilmente encontradas presas em arvores de terrenos baldios, Mata Atlântica, rochas e pedreiras. Também são largamente observadas nos bairros de São Francisco, Itaipú, Piratininga, Itacoatiara, Camboinhas ...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

BLC. Clear Water Gold





A BLC. Clear Water Gold caracteriza-se pela sua forte coloração amarela em todas as sépalas e pétalas, incluindo o labelo, que é impactante ao primeiro olhar. 

 






Devido à sua variedade de cruzamentos, podemos encontrar discretos tons róseos a violáceos nas extremidades das sépalas e das pétalas incluindo o labelo, muitas vezes quase imperceptíveis ao olhar mais desatento. 







Como a maioria das BLC, preferem ambiente com boa claridade e luz matinal e são de cultivo relativamente fácil.








Florescem aqui em Pendotiba em agosto e duram cerca de 3 semanas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Cattleya Intertexta Alba

Esse belo híbrido foi adquirido aqui em Niterói, na Florália, uma empresa botânica familiar com larga experiência na produção e venda de orquídeas. Trata-se de um hibrido produzido pelo cruzamento das cattleyas Warneri Alba e Mossiae Alba, com um resultado surpreendente na delicadeza e beleza da flor. 

A primeira espécie, Cattleya Warneri Alba possui para nós um significado especial, por sua origem na zona da mata, região montanhosa que engloba a tríplice fronteira de Minas Gerais, Noroeste Fluminense (de onde somos) e Espírito Santo.

 Vivemos nossa infância em contato direto com as Warnieris na fazenda onde fomos criados, nas matas e na maioria das casas da zona rural e das pequenas vilas do noroeste fluminense, onde sua presença e cultivo eram tradicionais. A variedade alba é particularmente bela pelo destaque que a cor amarela do labelo possui, circundada pelas belas sépalas e pétalas totalmente brancas.

A segunda espécie geradora da Intertexta é a Cattleya  Mossiae Alba, igualmente bela e originária da Venezuela, encontrada nas regiões de montanhas como a "cordillera de la costa". 



Possui um labelo longo de bordo rugoso e pétalas laterais quase pendentes, igualmente serrilhadas, características herdadas pela Cattleya Intertexta Alba.  O resultado obtido pelo cruzamento é uma bela orquídea alba, de visão impactante e bastante durável.
Aqui em Niterói ela floresce em meados de agosto.

Floração de agosto de 2023


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Schomburgkia gloriosa

Essa orquídea é belíssima e com uma morfologia rara e instigante. Epífita, possui pseudobulbos grandes e fusiformes, e  uma longa haste foliar com mais de um metro meio de comprimento, branco, no final do qual surge uma inflorescência terminal caracterizado por cacho arredondado  com cerca de 12 belíssimas e exóticas flores. 


Caracterizam-se por possuir sépalas e pétalas rugosas, amarelas, e com o mesmo formato anatômico. 

O labelo é branco ou arroxeado. Ocorrem nas regiões de matas da América tropical, notadamente nas florestas próximas ao Oceano Atlântico. 
Atualmente vem sendo considerada como pertencente ao grupo das Laelias.


Essa muda foi recolhida aqui em Pendotiba, em um terreno abandonado, prestes a ter suas poucas árvores derrubadas pela expansão frenética da especulação imobiliária. 




Um amigo, o Nei, a recolheu  ainda pequena em um tronco de canela, pouco antes de seu extermínio. Coloquei a muda em um tronco de sibipiruna aqui no quintal, ao qual ela se agarrou com muito prazer, cresceu, e floresce a cada ano em meados do inverno, com cerca de duas ou três hastes florais.
Confesso que, na época, tivemos um pouco de dificuldade na sua identificação, o que conseguimos graças ao site orchidstudium ( http://www.orchidstudium.com/ ) que recomendo aos que, como nós, tem as nossas eternas dúvidas ao catalogar novas aquisições.